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AMEAÇA NUCLEAR NORTE-COREANA ABALA A GEOPOLÍTICA MUNDIAL - Prof. Murilo

 

AMEAÇA NUCLEAR NORTE-COREANA

Os recentes testes de explosões e lançamento de mísseis nucleares pela Coréia do Norte causaram mais abalos geopolíticos do que sísmicos. Para entender a atual situação, é necessário entender que, tanto o perigo nuclear quanto o próprio país são produtos da Guerra Fria.

Em 1945, a península coreana foi libertada do domínio japonês e foi dividida em dois países: um sob controle dos Estados Unidos (Coréia do Sul) e o outro ocupado pela antiga União Soviética (Coréia do Norte). O processo foi semelhante ao que dividiu a Alemanha por 41 anos. As duas Coréias travaram uma guerra entre 1950 e 1953, no auge da Guerra Fria, que terminou com um frágil cessar fogo que dura até os dias atuais.

Desde esta época, marcado pela ameaça constante de um conflito nuclear, o governo de Pyongyang, capital norte-coreana, nutre o desejo de possuir armas nucleares. O regime se tornou autoritário, repressivo e cada vez mais militarizado. Com o fim da União Soviética em 1991 e a queda dos regimes socialistas do Leste Europeu, o país sofreu grandes abalos econômicos, assim como Cuba, pois dependia de forma visceral do auxílio soviético. Sem os antigos parceiros comerciais, mergulhou num período de escassez de alimentos e sucateamento ainda maior de suas indústrias, à exceção do setor bélico, que consome um terço do PIB norte-coreano, dando ao país o quarto maior exército do planeta e um poderoso arsenal.

A relação das duas Coréias conheceu momentos de crises esporádicas. Mesmo assim, os dois países aderiram à ONU em 1991, assinando tratados de desnuclearização da península. Desde 1998, entretanto, tornou fato notório que a Coréia do Norte desenvolvia tecnologia militar com fins militares. Na verdade, o ditador norte-coreano Kim Jong-il passou a usar a ameaça nuclear como elemento de barganha para conseguir recursos e auxílios econômicos, uma vez que grande parte da sua população, de cerca de 23 milhões de habitantes, depende do auxílio humanitário de outros países para não morrer de fome. Esta ajuda era proveniente principalmente do Japão e da Coréia do Sul, os alvos mais próximos e mais prováveis de um possível ataque nuclear.

Analistas do cenário internacional acreditam que, uma vez comprovada a capacidade do país de produzir armamento nuclear, o ditador Kim Jong-il usará seu arsenal como estratégia de negociação com os Estados Unidos. Ele pretenderia, assim, forçar um acordo e derrubar as sanções econômicas impostas a Pyongyang pela ONU em 2006, após a realização dos primeiros testes nucleares.

Apesar de pouco provável, a hipótese de uma invasão militar para impedir o avanço do programa nuclear não está descartada. A tendência é a saída diplomática para o impasse. Além do risco do uso de armas nucleares e da venda da tecnologia para grupos terroristas, um outro problema se esconde por trás dos últimos acontecimentos. Devido a questões históricas, ao desrespeito ao direito internacional e aos arroubos militares do ditador Kim Jong-il, a Coréia do Norte é vista com desconfiança pelos países vizinhos (Coréia do Sul, Japão e Taiwan) - que podem se ver forçados a iniciar uma corrida armamentista naquela região da Ásia.

SUGESTÃO DE FILME:

"Dr. Fantástico" (1964), um clássico do cinema do diretor Stanley Kubrick, conta a história de um general norte-americano que fica louco e ameaça bombardear a ex-União Soviética, detonando a Terceira Guerra Mundial.

SUGESTÃO DE LIVRO:

"Bazar Atômico: a escalada do poderia nuclear", de William Langewiesche (Companhia das Letras), fala dos riscos do verdadeiro "armazém nuclear" que as grandes potências mantêm como defesa contra ataques inimigos e o domínio da tecnologia por países pobres, como a Coréia do Norte.

Murilo de Pádua Andrade Filho é Prof. do departamento de Geografia do Novo Colégio.


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