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Novo Colégio em Mendoza

 

NOVO COLÉGIO NA ARGENTINA

 

No último período de 09 a 14 de agosto, estivemos na Argentina, através do apoio conferido ao Prof. Dr. Carlos Henrique de Freitas, (ex) professor e sócio fundador do Novo Colégio.

O professor foi apresentar um trabalho sobre atropelamentos de tamanduás-bandeira - espécie ameaçada de extinção - no 10º Congresso Internacional de Mastozoologia1 em Mendoza, Argentina.

 

Seguem alguns relatos e fotos a respeito daquele país e do Congresso.

 

A Argentina, pelos locais visitados (leste a oeste) é um país muito organizado e com ares europeus, que recentemente tem passado por uma crise econômica, fato que resultou em dívidas de empresas nacionais da ordem de bilhões de dólares, inflação e desvalorização do peso, com desemprego e perda do poder de compra da população. Isto foi percebido em Buenos Aires e Mendoza, por termos visto mendigos e muitos vendedores ambulantes na rua.

Porém, de uma forma geral, a impressão que se passa é que a população da região visitada, reservada, mas amistosa, demonstra crença no trabalho e muito orgulho de seu país, fato verificado pela altivez característica e pelas bandeiras, muitas delas velhas, penduradas nas ruas das cidades.

Buenos Aires, entretanto, parece ter perdido um pouco do seu ar Europeu, expondo um certo abandono, pois foram vistas construções imponentes vazias, depredadas e pixadas. Claro, que deve ser levado em conta o momento de crise atual, e as crises anteriores pelas quais o país passou.

Não se pode deixar de enfatizar que o país tem sobrevivido bem, pois as pessoas estão felizes e, em Mendoza, nos receberam muito bem, com uma hospitalidade sequer aventada em um “hermano”, em função das gentilezas constantemente retribuídas nas partidas de futebol.

Claro, que a situação e as pessoas são outras, mas mesmo assim, nas ruas e restaurantes éramos muito bem tratados, considerando-se que os participantes latinos do evento não eram turistas de primeira linha, isto sem se levar em conta a “rivalidade” tupiniquim.

O que impressionou foi a grande variedade de vinhos produzidos nas diversas bodegas vizinhas a província2, os quais são vendidos em Mendoza e aqui. Degustamos apenas seis saborosos exemplos que nos fizeram entender porque “los hermanos” por muitas vezes se acham tão soberanos... Teríamos que ficar um mês para ter uma idéia melhor da enologia da região, mas pela primeira impressão ficou bem claro que a “la tierra del sol y del buen vino referente a Mendoza faz todo o sentido.

A comida também é de boa qualidade, sendo característicos os pratos: Parrillada, Chorizo, Chivito... Todos pratos de carne, além das empanadas (pastéis de forno) sempre acompanhados de vinho. E, não poderia esquecer do bom e velho “Pancho” (um big cachorro quente, uns 30 cm) que encheu a pança de muitos participantes em momentos de aperto (biológico e financeiro).

Ainda foi possível visitar a cordilheira dos Andes e conhecer, a uma certa distância e comia eemperatura próxima a 0º C, o Aconcágua, que é a montanha mais alta da América do Sul. Além de saber um pouco sobre a história relacionada ao local que foi uma das bases do povo Inca e palco para o estabelecimento de milícias revolucionárias, lideradas por San Martin, as quais expulsaram os espanhóis rumo ao Pacífico e libertaram a Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia dos domínios da coroa hispânica.

 

O Congresso apresentou 900 contribuições relacionadas aos mamíferos do mundo todo, onde houve a participação de 53 países e mais de 1200 pessoas inscritas.

Durante os simpósios, conferências e “work-shops” se percebeu que as ameaças aos mamíferos brasileiros são as mesmas em todo o mundo. Um grande cientista Australiano (Prof. William Laurance, PhD) durante sua conferência, informou que várias outras ameças estão emergindo, como a expansão dos bio-combustíveis, da pecuária e soja na Amazônia, a expansão das estradas e o grande número de espécies invasoras (não nativas: como cães e gatos ferais), que muitas vezes transportam parasitas fatais aos mamíferos silvestres.

Por outro lado, percebeu-se a riqueza e a importância do grupo, como em uma conferência de um pesquisador israelense de 80 anos (Prof. Eviatar Neivo, PhD) o qual relatou que a salvação do câncer pode estar nas toupeiras, pois estas suportam longos períodos de anoxia debaixo da terra e apresentam várias substâncias, naturalmente produzidas em seu corpo, o que as previne deste mal.

Também foi apresentado que as plantas tem sua evolução e diversidade relacionada aos grandes mamíferos do passado (megafauna), os quais dispersaram suas sementes e, por comerem constantemente a parte área, favoreceram o fluxo de nutrientes pelo solo, através das raízes e o surgimento de espécies com reservas e crescimento rápido, ou então que contenham defesa química (venenos), estas muitas vezes ocorrendo atualmente nas florestas tropicais.

Finalmente, ficou claro que o trabalho: “Atropelamentos de tamanduás-bandeira no sudeste do Brasil”, é uma realidade em muitos países e uma preocupação crescente para a conservação da espécie nas Américas Central e do Sul.

Portanto, a participação no congresso foi muito boa para estabelecimento de contatos e divulgação do trabalho, o qual, vale a pena repetir, recebeu apoio do Novo Colégio, uma escola ligada na ciência e nas novidades. Sem tal suporte não teria sido possível nossa participação no evento.

 

Sendo, assim, nossos mais sinceros agradecimentos a todos desta grande escola.

 

 

Atenciosamente,

 

Prof. Dr. Carlos Henrique de Freitas

 


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