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Antiamericanismo na América Latina- Prof Murilo

 

Antiamericanismo na América Latina

O presidente venezuelano Hugo Chávez mostrou, mais uma vez, ser um gênio da propaganda ao conseguir que a América Latina desviasse sua atenção de um fato extremamente sério – o exército colombiano ter encontrado foguetes antitanque AT-4 vendidos pela Suécia ao Exército Venezuelano em poder das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) – para reclamar de um fato trivial: um pequeno aumento do número de militares americanos em cinco bases colombianas.

Chávez sabe explorar habilmente o antiamericanismo existente na região.

Há várias razões para um fato ser sério e o outro, trivial. Armas de uso exclusivo das Forças Armadas de um país serem encontradas com a narcoguerrilha de um país vizinho é um fato sério, ilegal e que deve ser investigado.

Segundo a imprensa local, estas armas de fabricação sueca foram encontradas em julho de 2008 e sua origem pode ser determinada por seus números de série. Este caso polêmico agrava as já tensas relações entre a Colômbia e a Venezuela, quase um ano e meio após uma crise diplomática que parecia insuperável, envolvendo as Farc.

Permitir que militares de uma nação amiga usem suas bases é algo trivial e legítimo, desde que tenha sido aprovado pelo governo local. Pode-se até argumentar que os Estados Unidos irão mais que triplicar o efetivo militar na região. Mas o número em si é pequeno: de 250 para 800 militares, além de 600 contratados civis, o que não configura exatamente uma invasão. Os locais em que as bases estão instaladas também demonstram que o foco central são ações contra o narcotráfico e não um “cerco” à Venezuela, como Chávez reclama. Existe, na verdade, um fluxo de drogas por mar e pelo ar.

Além disso, existe um detalhe bastante óbvio: os Estados Unidos não precisariam de bases na América Latina se quisessem intervir militarmente na região. Nenhum outro país tem o alcance global das Forças Armadas dos EUA. Basta lembrar que porta-aviões foram usados na invasão do Afeganistão, em 2001. Ter bases próximas de onde se queira atacar é útil, mas não essencial. Um porta-aviões nuclear como o USS Nimitz, por exemplo, tem capacidade de deslocar 100 mil toneladas, carregando 85 aeronaves e quase 6000 tripulantes. Basta um para aniquilar a Força Aérea Venezuelana. A Marina dos EUA tem dez destes navios.

O antiamericanismo na América Latina vem do tempo em que de fato os Estados Unidos intervinham militarmente na região, com fuzileiros navais ocupando países como Cuba, Haiti e Nicarágua. Durante a Guerra Fria houve o apoio explícito a ditaduras no continente para evitar que mais países adotassem o socialismo. Mas, com a redemocratização do continente a partir dos anos 80, os motivos e os pretextos para novas intervenções militares.

Murilo de Pádua Andrade Filho (Geografia)


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